quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O pacto

Eu ainda era mui pequenino
Quando me atiraram numa vala imunda e fedida
Zombaram do meu corpo nu, e depois gritaram:
- Lar, doce lar, bem vindo à vida!

Bastardo que sou, compreendi logo as manhas deste jogo insalubre
Cresci com os dois pés atrás e um olho nas costas
Tentaram me civilizar, chamaram-me de bárbaro
Já me tinham como a ínfima natureza morta

Fui conduzido a uma espécie de Termas de Trajano
Onde a água límpida brotava de uma fonte caudalosa
Mas por detrás desta aparente estadia havia o inferno
E vi o próprio satanás me tentar com as promessas mais prodigiosas

Resolvi aceitar o tal catecismo
Minha alma vagou nas cavernas insólitas, fui ao abismo profundo
Desde então tenho me deparado com a estranha sensação
De que não pertenço mais a este mundo

(Jorge)

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